Segunda-feira, 29 de outubro de 2012.
Acordei ofegante sentindo seu cheiro, mas não era você que
estava ali, não era você ali sorrindo, me olhando dormir, era só o seu perfume
que grudou no travesseiro, só uma lembrança, lembrança que sinto em todos os
cômodos da casa, praticamente o vejo em todos os cantos aqui, os nossos cantos.
Acordei sem aquele cheiro de pão queimado porque você sempre
esquecia o pão na torradeira, sem a frigideira suja no fogão pelos ovos mexidos
que só você sabia fazer, sem aquele cheirinho de café forte, sem você pulando
por cima de mim me chamando pra comer, me pegando no colo pra me levar até a
cozinha. Dessa vez, eu fui andando, e não tinha nada por lá, somente a rosa
branca, murcha, sem vida, quase sem pétalas no jarro no centro da mesa, a rosa
que você sempre colocava e sempre antes disso a passava na ponta do meu
nariz, pra que eu pudesse sentir aquele cheirinho de flor que você sabia que eu
adorava. Acordei. E a rosa não tinha
cheiro algum.
Acordei como todos os dias depois que você se foi, depois
que o deixei ir. Alma ferida e coração partido, que agora estão totalmente
camuflados através da maquiagem, a que tampa minhas olheiras vindas de noites
mal dormidas, a que realça meus olhos e disfarça o inchaço por causa do choro, camuflados
através do meu batom vermelho, que chama a atenção para o meu sorriso, nada
verdadeiro, mas que engana. Mantendo a minha pose de durona, mantendo minha
palavra de que nunca sofreria por amor, porque isso era uma bobagem, mantendo a
pose de fria que eu tenho para minhas amigas, que nem são minhas amigas
assim... Muitas vezes as defendendo dos males do amor. Mas mantenho a palavra
só a elas e para as pessoas em volta, porque nunca fui do tipo que sofre em
companhia, meu sofrimento é algo totalmente particular.
- M.